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domingo, 13 de maio de 2012

Enigma

O teu enigma
não é o do espaço vazio
por entre os dedos

O teu enigma
é a nobreza do gesto futuro
quase escondido
nas palavras diurnas

O teu enigma
é líquido
quase como as formas que usas
todas elas
para dizer: inacabado
nunca fechado
na calmaria
da
paisagem.
ilha, 11 de maio de 2012

Rosa Oliveira. Affectum (2012)


Enigma

Tu enigma
no es el del espacio vacío
por entre los dedos

Tu enigma
es la nobleza del gesto futuro
casi escondido
en las palabras diurnas

Tu enigma
es líquido
casi como las formas que usas
todas ellas
para decir: inacabado
nunca cerrado
en la calma
del
paisaje.

sábado, 4 de setembro de 2010

Matéria d'ontem hoje

A ferida participa na noite; sangra a escuridão
e no alto
os astros não dormem; entalham as árvores no céu
Escorre a seiva da noite. A ferida vê fantasmas. Ânsias de papel.
Motor imóvel - solilóquio - escreve rascunhos ao futuro
Leva, delicadamente, a mão
ao cabelo
Tremor: humanidade do gesto-menino; tudo vibra
a boca, os lábios
a língua
os ombros, as pernas e
a mão no ventre do sorriso-mel
De olhos cerrados tal noite a língua cativa
gravita
Amagino: [Ac]ama em mim. E a ferida cicatriza.



Materia de ayer hoy

La herida participa en la noche; sangra la oscuridad
y en lo alto
los astros no duermem; tallan los árboles en el cielo
Gotea la savia de la noche. La herida ve fantasmas. Ansias de papel.
Motor inmóbil ―soliloquio― escribe borradores al futuro
Se lleva, delicadamente, la mano
al pelo
Temblor: humanidad del gesto-niño; todo vibra
la boca, los labios
la lengua
los hombros, las piernas y
la mano en el vientre de la sonrisa-miel
Con los ojos cerrados tal noche la lengua cautiva
gravita
Amagino: [Ac]ama en mí. Y la herida cicatriza.