domingo, 6 de novembro de 2011

Sem outro intuito

Atirávamos pedras
à água para o silêncio vir à tona.
O mundo, que os sentidos tonificam,
surgia-nos então todo enterrado
na nossa própria carne, envolto
por vezes em ferozes transparências
que as pedras acirravam
sem outro intuito além do de extraírem
às águas o silêncio que as unia.

Luís Miguel Nava


Sin otro objeto

Arrojábamos piedras
al agua para que el silencio saliese a flote.
El mundo, que los sentidos tonifican,
nos surgía entonces todo enterrado
en nuestra propia carne, envuelto
a veces en feroces transparencias
que las piedras azuzaban
sin otro objeto que el de que extrayesen
de las aguas el silencio que las unía.

2 comentários:

Dija Darkdija disse...

Achei muito interessante o poema. mais interessante é o jogar das pedras, que traz à tona o nosso silêncio de leitura e meditação sobre o poema.

Sun Iou Miou disse...

Bem-vindo a esta ponte, Dija Darkdija.

O silêncio é sempre importante para podermos escutar. A imagem que desenha o poema é para mim muito poderosa.

María